Tirava os sapatos iniciando o movimento após o movimento do dia. Jogou-se
de leve na poltrona e a inclinou para trás. Os braços abertos ficavam
pendurados apontando a gravidade. Respirava fundo e suspirava. Estava fresco e
o vento soprava na cortina transparente. Alguns papéis voaram. O chão estava
limpo e a louça lavada.
A
cabeça encontrava-se confortável naquela poltrona que era quase um colo. A
leveza era traduzida nos pés que se alongavam para aproveitar a folga dos
sapatos e no jeito de olhar o teto branco. Levou a mão até o pescoço e
massageou a nuca subindo até que os dedos entrelaçassem os cabelos.
Sentia
cada metro quadrado de descanso no corpo, a sensação que subia e extrapolava no
sorriso chegava a ser empolgante.