Diga-me qual é o sabor, pois tenho saudade. Ah que saudade! Dona Moça, traga-me mais poemas, separe tempo para escreve-los, não permita que esse momento me escape. Registre.
Amo esse sabor que fica em cima da linha limite do findar da saudade. Esse sorriso espontâneo que treme os lábios ao tentar contê-lo. Deixe-me degustar teus olhos.terça-feira, 15 de outubro de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
O Dia
É pesado, na verdade leve, mas ainda vivo escolhendo o mais pesado. Sinto-me escorregadio, como se a qualquer hora fosse escapar. Escapar de onde? Do caminho.
A vista embaça, não me vejo, a voz também embaça, não me ouço. Cada grão de areia se perde no outro e o pé desliza. Olho para o lado e vejo o mar. Vai me afogar. Será? Grito, um grito que não sai da boca, mas martela o peito. Não sei pedir socorro, não sei socorrer, outrora nem sabia que precisava de socorro.
Se o mar não vem me sinto peixe fora d’água, no entanto não sou peixe, mas ainda me sinto deslocado, é que ainda sou teimoso, mas não todo. Um dia dá-se o jeito.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Para Planejar-se
Caro navegante ,
Estenda o grande mapa pela mesa.
A mesa balança, então cole o mapa com fita adesiva. Apanhe réguas, marcadores,
compassos, calculadoras e toda precisão que você aprendeu na corda bamba. Tome nota de todos os conselhos dos velhos
navegantes, dos novos também. Balize o tempo necessário em cada metro quadrado
e multiplique por 1,1. Do resultado aproximadamente 9,1% é o que você tem para
aplicar em atividades não contabilizadas. Pule, role e corra se for necessário
ou se quiser, mas sem desrespeitar a margem de 9,1%. Vale também batucar
freneticamente em maré alta.
Por favor, na hora de servir coloque a panela do feijão depois do arroz, pois depois que se dá um passo para por o feijão fica difícil voltar para pegar o arroz sendo que a fila já andou.
Por favor, na hora de servir coloque a panela do feijão depois do arroz, pois depois que se dá um passo para por o feijão fica difícil voltar para pegar o arroz sendo que a fila já andou.
Retome seus planos diariamente.
Olhe para os dois lados antes de atravessar. Se no meio da viagem você sentir
que está perdendo o ar provavelmente é por estar apaixonado pelo reflexo da
água, pare com isso! Não se deixe ludibriar pela neblina. Aponte para o lugar
certo, e não, o lugar certo não está impresso nos cartões postais dos outros
navegantes, e o mar deles não é mais azul. Como diria um amigo, para um marujo
novo o mar é algo a ser desbravado e para um velho marujo não passa de um
deserto azul. A dica é ser adulto e a dificuldade também.
Outra dica para quem acredita no
planejamento, a maior variável é que o mundo gira.
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