No dia que cansei colei, colei a
orelha no espaço quente que tocou-me as panturrilhas. Mesmo descansada o espaço
faria com que a minha perspectiva mudasse fazendo do descansar algo mais
significativo que o atual estado de disposição. Eu poderia respirar acoplada a
sensação de que o lugar mais estável mantem a temperatura corporal.
O lugar mais quente bombeará o
formigar dos lábios. O meu estresse adormecerá. Será um domingo ensolarado ou
sábado nublado. Minhas mãos também estarão quentes, pois vou fazer delas um
arremate para me manter de pé na ponta dos pés mudando meu eixo gravitacional
apoiando em um espaço quente.
A pele vai ansiando na medida em
que prevê a distância calculada pelos olhos sendo paulatinamente reduzida.
Reduzida a distância somente da concentração, o esforço em reter a energia
do movimento árduo do pequeno espaço de uma partícula.
O desejo vai se materializando
pelas memórias mais recentes que apontam a concretude, a maior probabilidade de
que o som do calçado contra o chão vai se intensificar. O som vai ecoar como em
casa não mobiliada e até as paredes preverão êxtase com a mudança da corrente
de ar.
No tempo de uns três parágrafos
os botões irão cair e vou colar a orelha no espaço mais quente. Vou ouvir e que
ouça novamente, novamente, o som, fisiológico, compassado, semântico, cardíaco.
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