1 de fevereiro de 2011
Uma escala de cinza vai derretendo e perde as formas até virar um preto e branco expressionista.
Tristeza está sentada no sofá, sai de cena e entra Angústia em um quartinho. Quartinho meio apagado, meio abafado, meio vampiresco, meio assim, bem assim. Senta na cama, fecha as pálpebras com as mãos e cai encolhida.
Angústia vai afundando no colchão de pouquinho em pouquinho e vai mais um pouco. Ela estende os braços para sair do buraco, mas já está fundo demais, ela não consegue fazer força. As bordas do Colchão estão se juntando, fica só uma frestinha de luz. O Colchão enterra a Angústia.
Angústia abraça os joelhos e fica pequenininha, bem pertinho das paredes, colada nelas. Fecha os olhinhos e pede para não lembrar, pede para não chorar, pede para nem pensar, pede para dormir, pede para ficar quietinha.
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